Pro inferno com o amor de tardes rasas
que dorme cedo e tem hora pra chegar
pro inferno com o que é dúvida e se espalha
feito ratos em bando pela estrada
Já chega de afiar faca na noite
e de aflições que vêm de berço e não têm fim
descanso é ar no peito e uma certeza
não é mais hora de testar limite assim
Não quero mais o alívio que redime
e cuja origem é a mesma do terror
os medos que carrego já me bastam
eu sou na vida o antídoto pra dor
Pro inferno com essa festa de tristeza
não cabe mais angústia no salão
ação não é o antônimo de calma
e o que lateja, meu amor, nem sempre é bom.
Maria Rezende
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